Introdução

No âmbito da inovação, há um amplo consenso sobre a importância de conseguir que as aprendizagens que os alunos e alunas realizam na escola os tornem realmente mais competentes, ou seja, mais capazes de construir um projeto de vida a partir da compreensão do mundo no qual eles estão se desenvolvendo. Esta meta implica em que eles possam atribuir sentido e valor pessoal à aprendizagem. O marco da personalização da aprendizagem(Coll, 2018) aborda o desafio que as escolas enfrentam para conseguir que os estudantes compartilhem conhecimento e se apropriem do motivo da atividade escolar, ainda mais em um momento em que as experiências de aprendizagem ocorrem em outros contextos educativos informais e resultam em situações mais significativas para eles.

Os projetos de Aprendizagem e Serviço Solidário (APS) se mostram como um caminho muito valioso para ajudar os alunos a darem sentido às suas aprendizagens. Eles favorecem abordagens mais interdisciplinares, baseadas na indagação e, principalmente, têm como meta prestar um serviço que responda a uma necessidade do entorno (Batlle, 2013).

Este texto tem dois objetivos. O primeiro é resumir os argumentos teóricos que sustentam a tese de que a seleção de conteúdos culturalmente relevantes é um elemento básico para favorecer aprendizagens com sentido e como isso requer, ao mesmo tempo, abrir a escola à colaboração com instituições do entorno. O segundo é apresentar uma experiência de Aprendizagem e Serviço Solidário (APS) realizada no Instituto Miguel Catalán de Coslada (Madri) que ilustra essa linha de inovação.

Conexão com o entorno e relevância da aprendizagem

Como acabamos de dizer, atribuir sentido a uma aprendizagem requer, entre outras coisas, considerá-la relevante, ou seja, útil para entender a si próprio e a realidade na qual atuamos. A relevância estaria, por sua vez, associada à conexão que o aluno consegue estabelecer entre as experiências que ele tem em distintos contextos, dos quais apenas um é a escola. A aprendizagem ocorre, e ocorrerá cada vez mais, “em toda a vida”. (Banks et al, 2007), ou seja, em uma variedade de contextos de atividade. Mas, além disso, a relevância também depende da funcionalidade do que se aprende, o que por sua vez remete à sua relevância cultural. Ou seja, ao valor que esse conhecimento tem para atuar em situações reais do entorno que sejam percebidas como valiosas.

Conectar as experiências de aprendizagem com o entorno, superando as barreiras institucionais de tempo e espaço da escola, é portanto, uma estratégia muito relevante de personalização. Os autores que desenvolveram o marco teórico da “Aprendizagem conectada” (Connected Learning) (Ito et al, 2013) afirmam que ele “busca promover um acesso mais amplo a aprendizagens socialmente contextualizados, dirigidos por interesses e orientados a oportunidades educativas, econômicas ou políticas. A aprendizagem conectada ocorre quando um jovem é capaz de buscar um interesse pessoal ou uma paixão com o apoio de amigos e adultos que cuidam dele e nesse processo é capaz de relacionar essa aprendizagem e interesse com o sucesso acadêmico, o sucesso na trajetória profissional ou o compromisso cívico. Este modelo se baseia na evidência de que a aprendizagem mais resiliente, adaptativa e efetiva implica em interesse pessoal, além de apoio social para vencer a adversidade e conseguir reconhecimento” (p. 4).

Nas situações de aprendizagem que respondem a essa abordagem de aprendizagem conectada, reconhecemos outro dos fundamentos da personalização: ter um forte componente emocional.  Se trata de experiências nas quais “os aspectos cognitivos e emocionais se entrelaçam e se fundem em um todo indissociável” (Coll, 2018, p. 16).

O planejamento de atividades educativas que reúnam essas características implica em superar a tendência endogâmica da escola, que com excessiva frequência limita às suas paredes, horários e profissionais os recursos para organizar as experiências de aprendizagem. Mas também exige superar a tendência à desresponsabilização social e cidadã perante a educação, que é delegada à escola e aos professores em uma clara confusão entre educação e escolarização. Tudo isso requer que haja um planejamento intencional por parte da comunidade do entorno do centro escolar, um projeto integral de todos os meios educacionais com os quais um determinado território conta.

As abordagens de inovação pedagógica que propõe os “Projetos educativos de Cidade” ou “Planos educativos de Território” buscam precisamente essa meta e promovem a colaboração entre distintas instituições (Collet-Sabé y Subirats, 2016).

A participação de instituições do entorno no Projeto de visitas ao Museu Arqueológico Nacional do Instituto Miguel Catalán

O Instituto Miguel Catalán é uma escola pública de Ensino Fundamental II, Ensino Médio e Formação Profissional, situado em Coslada, Madri. Uma das suas marcas de identidade é a importância que ele dá à convivência e ao desenvolvimento da competência social e cidadã. Para isso, entre outras estratégias, na escola são realizados diversos Projetos de APS há mais de uma década (De Vicente e outros, 2018).

No marco do Projeto PERSONAE[1] analisamos certas características desta estratégia metodológica a partir da perspectiva da personalização, já que ele aplica muita dessas estratégias.   Nesse texto focaremos na análise das colaborações que o instituto estabelece com diversas instituições do entorno, para realizar um dos projetos mais ambiciosos e consolidados do Centro: as visitas ao Museu Arqueológico Nacional (MAN).

A seguir descrevemos os objetivos e atividades do projeto MAN e expomos brevemente o papel de cada uma das instituições participantes, sua contribuição para a aprendizagem dos estudantes e os possíveis benefícios para elas próprias.

  • Projeto de Pesquisa “PERSONAE – O desafio da personalização da aprendizagem escolar: princípios, posicionamentos e implementação nos centros educativos” (EDU2017-82321-R)”. Financiado pelo Ministério da Economia, Indústria e Competitividade. Pesquisador Principal: César Coll. Mais informação em h ttps://ble.psyed.edu.es/

O desenvolvimento do projeto

O projeto MAN está sendo realizado há cinco anos, com estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, no marco das matérias de Cultura Clássica, Latim e Grego, sob a coordenação do Chefe do Departamento de Grego do instituto. Seu objetivo é que os alunos consigam os conhecimentos disciplinares das matérias correspondentes, assim como outros relacionados com as competências comunicativa, tecnológica, social e cidadã e a de aprender a aprender. Além disso, prestam um serviço à comunidade na qual a escola está inserida.

Esses objetivos se articulam em torno à preparação e desenvolvimento de visitas ao museu por grupos de pessoas idosas, nas quais os estudantes cumprem a função de guias, mostrando as peças das coleções escolhidas segundo o tema de cada curso e realizando oficinas com eles.

 
Imagem 1. Visita preparatória dos estudantes do Instituto Miguel Catalán ao MAN

Dado que a estrutura das cinco edições deste projeto é muito semelhante, tomaremos como exemplo a que foi realizada no curso 2017-2018, “MANejamos a escrita antiga” (Carracedo et al, 2019), focadas na compreensão das funções e formas da escrita como ferramenta cultural na antiguidade, e também aludiremos a alguns dados que correspondem a edições de outros anos.

Em uma primeira fase de planejamento e documentação do projeto, os estudantes buscaram e selecionaram, através da sala de aula virtual do museu, peças antigas que mostravam restos epigráficos nas salas do MAN. Prepararam a apresentação das peças buscando informação na base de dados CERES e elaboraram com ela um PowerPoint no qual também estavam situadas as peças em um eixo cronológico para transmitir a evolução dos sistemas de escrita e seu uso dentro dessas próprias culturas ou em culturas contemporâneas. Durante essa fase, um professor de Direito Romano da Universidade Complutense de Madri (UCM) foi ao instituto para ampliar as atividades de aprendizagem.   Além disso, as conservadoras do museu colaboraram na explicação das coleções aos estudantes. Adicionalmente, neste curso 2019-20 todo o projeto foi realizado em grupos mistos de estudantes formados por alunos e alunas do instituto e do 3º ano da Graduação em História da UCM.

Para organizar a fase de serviço, os centros de idosos do município de Coslada, com quem o instituto colabora desde que começaram os projetos de APS graças à coordenação com a prefeitura, escolheram os grupos de pessoas que participariam e organizaram reuniões no instituto nas quais os estudantes realizaram uma série de oficinas com jogos e outras atividades que serviam para motivar e preparar uma posterior visita ao museu para ir estabelecendo a relação pessoal entre os estudantes e os idosos. Entre os coletivos de idosos estava uma associação de familiares e portadores de Alzheimer. Para ajudar os estudantes a compreenderem e empatizarem com esse coletivo, uma logopeda dessa instituição trabalhou com eles em um encontro no instituto.

Imagem 2. Oficina de escrita com idosos

No dia previsto, os idosos foram ao MAN onde os estudantes guiaram a visita, explicando as diferentes peças e realizaram, ao final, uma oficina de escrita, que por sua vez foi organizada por um grupo de docentes de Letras Clássicas da UCM. Eles realizam um interessante projeto de inovação[2] e, além de formar os alunos e alunas, estiveram presentes na oficina.

  • “Metodologias docentes inovadoras para o ensino e aprendizagem de Latim e Cultura Clássica III, Projeto Innova Docencia UCM, 45, 2017-2018”

Imagem 3. Visita dos idosos à exposição com um dos alunos como guia.

O projeto inclui uma fase de divulgação com diferentes meios de comunicação escritos e rádio nos quais os estudantes também participam. Finalmente, na fase de celebração, que ocorreu no instituto, os alunos e alunas, vestidos com roupa da Roma Antiga, prepararam atividades lúdicas relacionadas com os temas vistos no museu, o projeto foi avaliado pelos dois coletivos (estudantes e idosos) e compartilharam uma refeição com pratos típicos daquele período histórico.

Imagem 4. Avaliação final e celebração do projeto

A avaliação que foi feita deste projeto durante as cinco edições demonstra que realmente trouxe para os estudantes os benefícios postulados no marco teórico. Aprenderam de maneira significativa, mostraram um nível de perseverança e compromisso com a atividade escolar superior ao habitual, se conheceram melhor ao descobrirem competências que não sabiam que possuíam, descobriram futuros caminhos acadêmicos e pessoais. O projeto foi tecendo, além disso, uma rede de recursos educativos valiosos, cujas colaborações mútuas listamos a seguir:

O Museu Arqueológico Nacional

Desde a diretoria do MAN e das conservadoras envolvidas no projeto, faz-se uma avaliação muito positiva da experiência. Contribuir com uma melhor aprendizagem dos estudantes já é considerado um benefício mais que suficiente, mas aproximar essa realidade cultural aos idosos que não estão familiarizados com o MAN também é um objetivo do museu.

Um indicador dessa produtiva interação é que pediram ao docente que dirige o projeto que ele participasse de uma reunião de responsáveis de diferentes museus para expor a experiência e que, por causa desse encontro, foram realizadas iniciativas semelhantes entre outros museus e centros escolares.

As pessoas idosas

A avaliação sumamente positiva que as pessoas idosas tiveram destaca como as visitas foram estimulantes para eles e tudo o que aprenderam sobre a cultura clássica, o bem-estar de perceber que eles podem continuar a aprender e, principalmente, como mudou a sua imagem sobre os jovens ao ver a sua capacidade de compromisso e cuidado.

Os estudantes valorizam também, especialmente, o sentido que ganhou o seu trabalho ao entender que são capazes de ensinar essas pessoas e vê-las desfrutar dessa aprendizagem. Isso, por sua vez, modificou a sua representação sobre essa etapa do ciclo da vida.  Além disso, devemos destacar a mudança na avaliação que os estudantes têm da cultura clássica a partir da surpresa que provoca neles o interesse que desperta a temática clássica nos mais velhos.

A prefeitura

Essa instituição desempenhou um papel fundamental no que se refere à coordenação com os centros de idosos: convênios de colaboração, trabalho com os profissionais dos centros, apoio para o transporte dos idosos até o instituto e o museu, entre outras atividades.

Os responsáveis da prefeitura reconhecem esse projeto como um caminho para aproximar a cultura a um grupo muito específico de seus cidadãos e contribuir com a melhoria da qualidade dos centros escolares de seu município e de outros, já que na Secretaria de Educação houve uma contribuição para estender os projetos de APS do IES Miguel Catalán para outros institutos. O apoio da divulgação da experiência nos meios de comunicação é outro âmbito de colaboração.

Por sua parte, os estudantes se beneficiam do conhecimento prático que adquiriram sobre as atrações culturais e sociais da prefeitura e do funcionamento dessa instituição.

A universidade

As diversas atividades compartilhadas com docentes e estudantes da UCM aproximaram os alunos do instituto ao mundo universitário e permitiram realizar aprendizagens dificilmente acessíveis por outras vias. É dessa forma como foram avaliadas as diferentes turmas implicadas (competências de pesquisa; conhecimento dos estudos universitários sobre o mundo clássico…) Os participantes universitários também consideram que foi frutífera a colaboração. Foi se ampliando nos últimos anos e levou à existência de cada vez mais estudantes do Mestrado em Formação de Professores de Educação Secundária que queriam fazer seu estágio no IES Miguel Catalán para se preparar para o trabalho como futuros docentes de Cultura Clássica, e que a cada ano fosse maior a participação do professor do instituto responsável pelo projeto em atividades de formação na universidade.

Condições necessárias para esta inovação

Os APS, e este projeto mais concretamente, constituem uma experiência educativa na qual os conteúdos adquirem relevância para os alunos na medida em que eles se mostram úteis para eles em contextos culturais reais. Mas, além disso, facilitam que a escola se abra ao entorno e ofereçam às entidades alheias à educação formal uma oportunidade de se envolverem na educação dos jovens. Esta conexão é, portanto, uma condição necessária para a personalização da aprendizagem, mas requer, por sua vez, determinadas condições para ser viável.

Realizar projetos como o que relatamos aqui é extremamente gratificante e relevante, mas exige muito esforço. Por isso é importante entender quais elementos contribuem com a qualidade desse processo de ensino e aprendizagem.

  • Dedicar uma significativa quantidade de tempo à coordenação com todas as instituições do entorno. No entanto, esse tempo não costuma estar contemplado entre as tarefas docentes.
  • Superar a unidade curricular da matéria e o docente em sua sala de aula e trabalhar em equipes de professores de todas as matérias que participam do projeto.
  • Transcender o horário rígido de uma hora de aula para poder utilizar tempos mais amplos e mais adequados para as atividades que está previsto realizar.
  • Utilizar horários não letivos, tanto durante a jornada escolar como fora dela, já que frequentemente ocorrem atividades na parte da tarde.
  • Contar com a colaboração de outros docentes do instituto que, por mais que não participem do projeto, necessitam “emprestar” sus horas de aula para alguma das atividades.
  • Contar com o apoio da equipe de direção da escola, sem a qual tudo o que mencionamos não seria possível.

Todas essas são condições necessárias, mas sem dúvida, a principal é a vontade de quem coordena o projeto de realizar uma tarefa tão complexa. Vontade que, como no caso dos estudantes, só é explicada pelo sentido atribuído a essa atividade. Devemos estar convencidos de que esta é uma forma de aprender, e de ensinar, muito melhor que outras e este convencimento não provém unicamente de uma premissa teórica, mas sim da experiência de realizá-lo e de uma reflexão contínua sobre os processos de ensino e aprendizagem que se manifestam nela, com o fim de manter um recursivo processo de melhoria.

Para conhecer melhor

Fale com Juan José Carracedo clasicasmiguelcatalan@gmail.com

Para saber mais

Connected Learning Alliance

Site criado por el Digital Media and Learning Research Hub da Universidade da Califórnia com o apoio da Fundação MacArthur, onde são apresentados recursos e redes de contato para promover experiências de aprendizagem com sucesso partindo do pressuposto que “a aprendizagem é irresistível e muda a sua vida quando se conecta com os seus interesses pessoais e com relações interpessoais significativas e oportunidades para agir na vida real”.

Educacio360

Site de uma parceria promovida pela Fundação Bofill, Governo de Barcelona e Federação de Movimentos de Renovação Pedagógica da Catalunha na qual participam diversos centros educativos, entidades e prefeituras e outros agentes sociais e comunitários. Sua finalidade é gerar mais e melhores oportunidades de aprendizagem para todos os alunos através da conexão de espaços e tempos educacionais, escolares e não escolares. Esta estratégia atribui um papel fundamental às prefeituras na coordenação dos recursos educacionais do território.

Referências

Banks, J., Kathryn, Au, K., Ball, A., Bell, Ph., Gordon, E., Gutiérrez, K., Heath, S.H., Lee, C., Lee, Y., Mahiri, J., Nasir, N., Valdés, G. y Zhou, M. (2007). Learning in and out school in diverse environments. Seatle: The LIFE Center.

Batlle, R. (2013) El Aprendizaje-Servicio en España: El contagio de una revolución pedagógica necesaria. Madrid: PPC.

Carracedo, J.J., Márquez, O., Cruz, M., Carrasco, M. (2019). «MANejamos la escritura antigua»: el MAN como recurso y escenario para un proyecto de aprendizaje y servicio dirigido a personas con alzheimer. Boletín del Museo Arqueológico Nacional, 38, 281-288. Disponible (26-11-2019) en http://www.man.es/man/dms/man/estudio/publicaciones/boletin-man/MAN-

Bol-2019/2019-BolMAN-38-18-Carracedo.pdf

Collet-Sabé, J. y Subirats, J. (2016). Educación y territorio: 15 años de Proyectos Educativos de Ciudad en Cataluña (España). Antecedentes, Evaluaciones y perspectivas actuales.

Scripta Nova, Vol XIX, 532, 7-23.

Coll, C. (2018). La personalización del aprendizaje, Dosier 3. Barcelona: Graó.

Ito, M., Gutiérrez, K., Livingstone, S., Penuel, B. Rhodes, J., Salen, K., Schor, J., Sefton- Green, J. & Watkins, S.C. (2013). Connected Learning: An Agenda for Research and Design. Irvine, CA: Digital Media and Learning Research Hub. http://dmlhub.net/wp- content/uploads/files/Connected_Learning_report.pdf

De Vicente, J., Carracedo, J.J., Luque, Mª.J., Cruz, M. y Martín, E. (2018). Aprendizaje- servicio y personalización en el IES Miguel Catalán, en Coll, C. (coord.) La personalización del aprendizaje, Dosier 3 (pp. 64-67) Barcelona: Graó.

Autoría

Juan José Carracedo y Equipo de APS. IES Miguel Catalán Elena Martín. Universidad Autónoma de Madrid

 

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